![]() |
| Máscara Ngil, Gabão. Museu de Arte de Denver |
A máscara era
utilizada, em conjunto com trajes cerimoniais, pelos juízes dos Tribunais
durante a punição dos criminosos.
A segunda obra
apresentada foi um fragmento da obra intitulada “As Senhoritas de Avignon”, de autoria de Pablo Picasso, produzida
entre os anos de 1906 e 1907. Considerada, por muitos, como a primeira obra do
cubismo.
A segunda obra foi
inspirada na primeira, visto que no início do século XX, máscaras como essas chegaram
a Europa, influenciando muitos artistas europeus.
![]() |
| Pablo Picasso - As senhoritas de Avignon (1907). MoMA |
Com efeito, pudemos
observar as semelhanças entre as obras, especialmente no que diz respeito à
forma da máscara e da cabeça da figura maior no fragmento da pintura.
Verificamos que o formato alongado da máscara é semelhante ao formato da cabeça
da pintura maior, ou seja, ambos possuem um formato alongado, assim como os
narizes igualmente alongados em ambas as obras.
Os tons avermelhados
tanto na pintura quanto na máscara é outro ponto que merece destaque.
Dissertamos, ainda,
acerca da finalidade da máscara, considerando que uma máscara é uma
descaracterização da pessoa que a utiliza, ou seja, tem como objetivo
despersonalizar o julgador fazendo com que se aproxime da imagem da entidade da
qual emana seu poder de julgar e punir.
No que tange as
finalidades de ambas as obras, chegamos ao entendimento de que não seria
possível apreciar as obras dentro do mesmo critério, visto que a máscara foi
criada para servir de instrumento para o
juiz do povo Fang, por quanto a
pintura foi criada para fins
propriamente artísticos, para despertar emoções, sensações e sentimentos em seu observador, ou seja, para fins estéticos.
Por fim, opinamos que
seria válida a exposição das obras lado a lado em um Museu, considerando que
tal exposição incentivaria a reflexão e o entendimento acerca dos aspectos das
obras expostas. Fazendo com que o observador
possa traçar padrões e paralelos entre
as obras de artes permitindo, assim, uma maior compreensão das obras
observadas.
O trabalho foi bem
avaliado pelo Professor que, por consequência, gerou o convite oportunizando a
exposição do trabalho neste Blog que, por sua vez, estimulou o grupo a fazer
uma reflexão maior sobre o tema, especificamente na finalidade e funções da
obra de arte.
Assim sendo, com base
na leitura de alguns textos propostos e aulas ministradas pelo Professor
Alexandre, bem como algumas obras relacionadas, o grupo busca se aprofundar um
pouco mais no tema.
A eminente Professora
Marilena Chauí, em seu livro . Convite à Filosofia: São Paulo: Editora Ática
2002, disciplina que ao longo da História das artes duas concepções acerca da
finalidade e funções da arte predominam: a
concepção pedagógica e a expressiva.
Tais concepções
tiveram sua origem nos pensadores clássicos, Platão e Aristóteles, Platão expôs
esta concepção na República,
colocando o conceito de pedagogia para a criação de uma cidade perfeita.
Aristóteles, por sua vez, discorreu em Arte
Poética que sobre arte pedagógica, mais precisamente a tragédia, como
instrumento de “purificação espiritual
dos espectadores, comovidos e apavorados com a fúria, o horror e as
consequências das paixões que movem as personagens trágicas.” (Chaui, 2002,
p. 324).
Conforme vimos na
aula ministrada no mesmo dia 5 de março de 2012, pelo Professor Alexandre, esta
abordagem ressurgiu alguns séculos mais tarde, através do conceito romântico da
arte apresentando como sendo um dos elementos o sublime.
Nesse sentido, a
Professora Marilena Chaui pontua:
“A concepção pedagógica da arte reaparece em Kant quando afirma que a
função mais alta da arte é produzir o sentimento do sublime, isto é a elevação
e o arrebatamento de nosso espírito diante da beleza como algo terrível,
espantoso, aproximação do infinito.” (Chaui, 2002, p.324)
Noutra ponta, temos a
concepção da arte como expressão,
isto é, “transformando num fim aquilo que
para as outras atividades humanas é um meio”, o que podemos entender desta
colocação é que a arte transmuta instrumentos sensoriais que utilizamos como
meio para atingir nossos objetivos, em um fim.
Nas palavras da
Professora Marilena Chaui, como expressão:
“(...) as
artes transfiguram a realidade para que tenhamos acesso verdadeiro a ela.
Desiquilibra o instituído e os estabelecidos, descentra formas e palavras,
retirando-as do contexto costumeiro para fazer-nos conhece-las numa outra
dimensão, instituinte ou criadora”
A arte cria
experiências sensoriais proporcionando elementos para que possamos conhecer e
compreender nosso próprio mundo, através de símbolos e alegorias. “A palavra alegoria vem do grego,
significando falar de outra coisa ou falar de uma coisa por meio de outra. Essa
outra coisa é o símbolo” (Chaui, 2002, p. 325).
Aplicando-se os
conceitos acima ilustrados ao estudo de caso proposto, analisando-se a máscara,
tendemos a concluir que seu criador quis depositar naquele instrumento um
simbolismo, descaracterizando o indivíduo que a usaria e, ao mesmo tempo,
constituindo aquele objeto como fonte de poder autoridade.
Por outro lado, Pablo
Picasso criou um universo de cores, texturas e formas proporcionando elementos
para conhecer nosso próprio mundo (Chaui, 2002, p. 325).
Por derradeiro, ainda
nos ensinamentos da Professora Marilena Chaui, concluímos que:
“Assim, a obra de arte nos traz uma última revelação: mostra que a
história é o movimento incessante no qual o presente (o artista trabalhando)
retoma o passado (o trabalho dos outros) e abre o futuro (a nova obra,
instituinte).” (Chaui, 2002, p. 326).
Participaram deste trabalho os
alunos da turma do primeiro semestre do curso de Publicidade e Propaganda da
Uniban Anhanguera - Disciplina Estética e História da Arte
– Professor Alexandre Marcussi.
Beatriz Oliveira
Bruno Luiz dos Santos
Jorge Toshiaki Koyanagui
Rodrigo Neris Costa
Referências Bibliográficas:


Ótimo trabalho, pessoal! Usar o instrumental fornecido pelo texto da Marilena Chauí só torna ainda mais interessante a comparação que fizemos e ressalta alguns pontos importantes.
ResponderExcluirObrigado professor!
ResponderExcluirVendo ótimo trabalho do grupo do Pablo, penso que deveríamos ter ilustrado o trabalho com as fotos.
Bom, fica a inspiração para um eventual futuro trabalho.
Pessoa, conforme conversamos em aula, eu tomei a liberdade de editar a postagem e inserir as imagens usadas em nosso estudo de caso.
ExcluirJóia! Obrigado mais uma vez professor!
Excluir