Bem vindos, alunos e demais visitantes!

Este blog foi criado para dar apoio a nossas atividades acadêmicas na disciplina de Estética e História da Arte. Aqui você vai encontrar nosso Programa de Ensino e Aprendizagem com um cronograma de todas as nossas aulas, instruções para elaboração de trabalhos e material de apoio de aulas. Além disso, conto com a ajuda de todos vocês para transformar esta página em uma extensão virtual da sala de aula, compartilhando nossas reflexões, produções e aprendizado.

Bons estudos!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Finalidades e Funções da Arte


Máscara Ngil, Gabão. Museu de Arte de Denver
No dia 5 de março do ano de 2012, foi proposto pelo Professor Alexandre Marcussi um estudo de caso em grupo. Este estudo consistia na análise de duas obras de arte, sendo a primeira uma máscara Ngil, produzida pelo povo Fang, cuja origem está no atual território africano que compreende o Gabão.

A máscara era utilizada, em conjunto com trajes cerimoniais, pelos juízes dos Tribunais durante a punição dos criminosos.

A segunda obra apresentada foi um fragmento da obra intitulada “As Senhoritas de Avignon”, de autoria de Pablo Picasso, produzida entre os anos de 1906 e 1907. Considerada, por muitos, como a primeira obra do cubismo.

A segunda obra foi inspirada na primeira, visto que no início do século XX, máscaras como essas chegaram a Europa, influenciando muitos artistas europeus.

Pablo Picasso - As senhoritas de Avignon (1907). MoMA
Em apertada síntese, nosso grupo delineou as semelhanças entre as obras, as origens, as finalidades e acerca da conveniência da exposição das duas obras lado a lado em um museu.

Com efeito, pudemos observar as semelhanças entre as obras, especialmente no que diz respeito à forma da máscara e da cabeça da figura maior no fragmento da pintura. Verificamos que o formato alongado da máscara é semelhante ao formato da cabeça da pintura maior, ou seja, ambos possuem um formato alongado, assim como os narizes igualmente alongados em ambas as obras.

Os tons avermelhados tanto na pintura quanto na máscara é outro ponto que merece destaque.

Dissertamos, ainda, acerca da finalidade da máscara, considerando que uma máscara é uma descaracterização da pessoa que a utiliza, ou seja, tem como objetivo despersonalizar o julgador fazendo com que se aproxime da imagem da entidade da qual emana seu poder de julgar e punir.

No que tange as finalidades de ambas as obras, chegamos ao entendimento de que não seria possível apreciar as obras dentro do mesmo critério, visto que a máscara foi criada para servir de instrumento para o juiz do povo Fang, por quanto a pintura foi criada para fins propriamente artísticos, para despertar emoções, sensações e sentimentos em seu observador, ou seja, para fins estéticos.

Por fim, opinamos que seria válida a exposição das obras lado a lado em um Museu, considerando que tal exposição incentivaria a reflexão e o entendimento acerca dos aspectos das obras expostas. Fazendo com que o observador possa traçar padrões e paralelos entre as obras de artes permitindo, assim, uma maior compreensão das obras observadas.

O trabalho foi bem avaliado pelo Professor que, por consequência, gerou o convite oportunizando a exposição do trabalho neste Blog que, por sua vez, estimulou o grupo a fazer uma reflexão maior sobre o tema, especificamente na finalidade e funções da obra de arte.

Assim sendo, com base na leitura de alguns textos propostos e aulas ministradas pelo Professor Alexandre, bem como algumas obras relacionadas, o grupo busca se aprofundar um pouco mais no tema.

A eminente Professora Marilena Chauí, em seu livro . Convite à Filosofia: São Paulo: Editora Ática 2002, disciplina que ao longo da História das artes duas concepções acerca da finalidade e funções da arte predominam: a concepção pedagógica e a expressiva.

Tais concepções tiveram sua origem nos pensadores clássicos, Platão e Aristóteles, Platão expôs esta concepção na República, colocando o conceito de pedagogia para a criação de uma cidade perfeita. Aristóteles, por sua vez, discorreu em Arte Poética que sobre arte pedagógica, mais precisamente a tragédia, como instrumento de “purificação espiritual dos espectadores, comovidos e apavorados com a fúria, o horror e as consequências das paixões que movem as personagens trágicas.” (Chaui, 2002, p. 324).

Conforme vimos na aula ministrada no mesmo dia 5 de março de 2012, pelo Professor Alexandre, esta abordagem ressurgiu alguns séculos mais tarde, através do conceito romântico da arte apresentando como sendo um dos elementos o sublime.

Nesse sentido, a Professora Marilena Chaui pontua:

A concepção pedagógica da arte reaparece em Kant quando afirma que a função mais alta da arte é produzir o sentimento do sublime, isto é a elevação e o arrebatamento de nosso espírito diante da beleza como algo terrível, espantoso, aproximação do infinito.” (Chaui, 2002, p.324)

Noutra ponta, temos a concepção da arte como expressão, isto é, “transformando num fim aquilo que para as outras atividades humanas é um meio”, o que podemos entender desta colocação é que a arte transmuta instrumentos sensoriais que utilizamos como meio para atingir nossos objetivos, em um fim.

Nas palavras da Professora Marilena Chaui, como expressão:

 “(...) as artes transfiguram a realidade para que tenhamos acesso verdadeiro a ela. Desiquilibra o instituído e os estabelecidos, descentra formas e palavras, retirando-as do contexto costumeiro para fazer-nos conhece-las numa outra dimensão, instituinte ou criadora”

A arte cria experiências sensoriais proporcionando elementos para que possamos conhecer e compreender nosso próprio mundo, através de símbolos e alegorias. “A palavra alegoria vem do grego, significando falar de outra coisa ou falar de uma coisa por meio de outra. Essa outra coisa é o símbolo” (Chaui, 2002, p. 325).

Aplicando-se os conceitos acima ilustrados ao estudo de caso proposto, analisando-se a máscara, tendemos a concluir que seu criador quis depositar naquele instrumento um simbolismo, descaracterizando o indivíduo que a usaria e, ao mesmo tempo, constituindo aquele objeto como fonte de poder autoridade.

Por outro lado, Pablo Picasso criou um universo de cores, texturas e formas proporcionando elementos para conhecer nosso próprio mundo (Chaui, 2002, p. 325).

Por derradeiro, ainda nos ensinamentos da Professora Marilena Chaui, concluímos que:
Assim, a obra de arte nos traz uma última revelação: mostra que a história é o movimento incessante no qual o presente (o artista trabalhando) retoma o passado (o trabalho dos outros) e abre o futuro (a nova obra, instituinte).” (Chaui, 2002, p. 326).


Participaram deste trabalho os alunos da turma do primeiro semestre do curso de Publicidade e Propaganda da Uniban Anhanguera - Disciplina Estética e História da Arte – Professor Alexandre Marcussi.

Beatriz Oliveira
Bruno Luiz dos Santos
Jorge Toshiaki Koyanagui
Rodrigo Neris Costa

Referências Bibliográficas:
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia: Unidade 8: O Mundo da Prática – Capítulo 3 – O Universo das Artes. São Paulo: Editora Ática 2002.

4 comentários:

  1. Ótimo trabalho, pessoal! Usar o instrumental fornecido pelo texto da Marilena Chauí só torna ainda mais interessante a comparação que fizemos e ressalta alguns pontos importantes.

    ResponderExcluir
  2. Obrigado professor!

    Vendo ótimo trabalho do grupo do Pablo, penso que deveríamos ter ilustrado o trabalho com as fotos.

    Bom, fica a inspiração para um eventual futuro trabalho.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pessoa, conforme conversamos em aula, eu tomei a liberdade de editar a postagem e inserir as imagens usadas em nosso estudo de caso.

      Excluir
    2. Jóia! Obrigado mais uma vez professor!

      Excluir